domingo, 12 de abril de 2009

O que é um epessë

Meu amigo Estel escreveu sobre seu nome em seu blog, e me levou a refletir sobre os epessi de hoje em dia.

Muitos que leem na obra de Tolkien as passagens que concernem ao epessë, o nome dado ou adquirido, por honra ou merecimento, não entendem bem ao certo do que se trata. Há o nome paterno (escolhido antes do nascimento, normalmente não utilizado), o materno (esse usado normalmente e escolhido na ocasião do nascimento ou depois, e frequentemente alusivo ao futuro da criança), e há o epessë. Era esse que, quando existente, passava à posteridade.

Galadriel foi o nome dado a Artanis (paterno) Nerwen (materno) por seu marido Celeborn, e assim ela preferia ser chamada e posteriormente ficou conhecida. Aragorn também tinha vários epessi, alguns pejorativos, outros magnificentes, dados a eles pelas várias pessoas com as quais travara contato em suas jornadas: Passolargo, Estel, Elessar, Thorongil, são alguns dos nomes citados no SdA. Vários outros personagens do mundo secundário imaginado por Tolkien ficaram conhecidos pelo seu epessë, como Gil-Galad, Maedhros e Círdan, por exemplo.

Hoje em dia temos os apelidos, mas apelidos nada mais são do que corruptelas de nomes próprios, ou simplesmente nomes carinhosos (às vezes nem tanto) que amigos nos dão. Mas não possuem significado por si só, ao contrário dos epessi. Possuir um epessë é mais do ter um apelido. É ter a sua essência condensada em um nome. Hoje isso é mais comum em comunidades da internet, onde o gosto comum e a adoção de um nick ligado a esse gosto muitas vezes possibilitam que as pessoas se permitam escolher nomes que trazem um significado intrínseco ao seu íntimo. E certas comunidades permitem que se leve isso um degrau acima. Em comunidades trekers ou tolkiendili, onde há idiomas artificiais pertinentes a esses mundos, os nomes baseados nesses idiomas proliferam.

No post que citei acima, do Estel, percebemos a importância do significado de seu epessë, que nada mais é do que esperança em sindarin; a própria esperança que ele tem em si em em todas as coisas. Eu sou Rafel, mas sou Saitar também. Rafel não é meu nome materno, na verdade, pois foi escolhido por meu pai - era o segundo nome dele, mas considero materno pois foi o nome que minha mãe escolheu para me chamar ao em vez de junior, ou mesmo do primeiro nome, esse sim do meu pai. Rafel vem do hebraico, Deus curou, ou renovou, e esse sou eu, renovado e crendo na renovação das pessoas, no geral tão cruéis e destituídas de bom senso. E para tanto, possuo em meu ser um sentimento de que poderia fazer sentido na vida de tantos se pudesse fazê-los notar que essa renovação é possível. Sou aquele que ensina, não somente a importância do movimento em nossa vida ou a compreensão de outra língua, minhas profissões de coração, mas também a importância de mudar o mundo e a humanidade, se isso for realmente possível. Sou Saitar, aquele que ensina, no alto idioma élfico, o quenya.

Realmente, eu sou Rafel, mas sou Saitar também. Rafel Saitar, i aryon laurë nossëo Finarfino.

Abração ^^

4 comentários:

Rob Seixas disse...

Texto bacana, interessante e criativo. Gostei, faz tempo que não lia algo assim. É curioso, no mínimo, os segredos que existem sobre os nomes. Faltou você explicar o significado do seu nick name, Zé Ruela, kkkkkkkkk. Mas tá bacana, sim. Interessante também a informação sobre os livros que restam na biblioteca. Abraços...

J.Estel Carvalho disse...

Saitar,

Só posso retribuir à altura. Seu texto me emocionou e além de sincero, traz o tom didático para a significação de epessi. Parabéns!

Se você é aquele que ensina, acho que alcança perfeitamente seus objetivos: suas explicações são sempre ricas, e não obstante, que trazem o entendimento além do racional cartesiano, mas também do emocional e complexo.

Agradeço por colocar em palavras coisas que eu sinto; isso mostra que eu não sou (tão) louco ao me auto-intitular de uma forma diferente do que as que meus pais escolheram, hehe

Possuir um epessë é mais do (que) ter um apelido. Ai ai, se todos soubessem disso. Concordo plenamente....

=D

J.Estel Carvalho disse...

"Educar é preparar para a liberdade. As pessoas são livres porque podem escolher quando conhecem alternativas. Sem informação não há alternativa e, portanto, sem alternativa não há liberdade".Gilberto Dimenstein, colunista da Folha de São Paulo

Fimbrethil disse...

Muito bom esse texto, Saitar!